domingo, 31 de maio de 2015

Entrevista: Vivian Ferreira

Foto: acervo pessoal
Para entender a repercussão de um fato isolado, é fundamental levar em conta a opinião de outros. Pensando nisso, o blog resolveu entrevistar pessoas que tivessem uma relação mais direta com a cultura francesa, para saber o que pensam à respeito do atentado contra o jornal satírico francês Charlie Hebdo. Uma delas foi Vivian Ferreira, estudante de francês do CEL (Centro de Estudo de Línguas). Além de ter contato com a cultura francesa nas aulas, Vivian foi uma das alunas escolhidas para um programa de intercâmbio pela Secretaria da Educação, tendo visitado a França no final de 2014. Ela deu sua opinião sobre o caso e falou sobre a hipótese de algo desse tipo acontecer no Brasil.

Blog: O que você acha sobre o atentado ocorrido no inicio do ano ao jornal Charlie Hebdo?
Vivian: O atentado ocorreu pouco tempo depois do meu retorno da França ao Brasil, porém em Paris, eu estava em Nice, mas ainda assim fiz questão de acompanhar o que se sucedeu após o atentado por ainda estar muito ligada a França. Em meio aos "je suis Charlie" [eu sou Charlie], eu dizia "je ne suis pas" [eu não sou]. Não defendo de forma alguma qualquer tipo de atentado terrorista, muito menos qualquer tipo de violência. Violência esta que o Charlie Hebdo também praticava, com suas charges que ultrapassavam a crítica para chegar ao desrespeito. Resumindo o atentado em apenas uma palavra, eu diria; choque.

B: Na sua opinião, as charges publicadas pelo jornal eram ofensivas? Por que?
V: Sim. O jornal publicava charges zombando de diversas religiões, deixando de ser crítico para ser desrespeitoso, como por exemplo com a charge que representava Maomé. A primeira lei/regra/mandamento dos muçulmanos é não criar representações de seu Deus. Ou a charge que representava uma cena sexual entre Deus (o Cristão), o Espírito Santo e Jesus Cristo. Se ele tinha a intenção de defender o direito a liberdade de expressão, estava de contradizendo, pois escolher seguir determinada religião também faz parte da liberdade de expressão, e o respeito tem de ser mantido para com todas as partes.

B: O que você sabe sobre a imigração árabe na França? Acha que isso está relacionado com a repercussão do atentado?
V: A França, e a Europa no geral, sofre seriamente com a xenofobia, principalmente contra árabes e africanos, por conta de preconceitos raciais, mas principalmente religiosos.

B: Você se interessa por charges críticas? Acha que é algo fácil de se encontrar no Brasil?
V: Sim, é o único tipo de charge ao qual me interesso, porém só há facilidade em encontrá-las na internet, onde não há censura alguma, afinal, sabemos que os grandes veículos de comunicação são controlados e que há sim certa censura.

B: Você imagina que algo como o caso do Charlie Hebdo poderia acontecer no Brasil? Por que?
V: É uma pergunta difícil de se responder com a objetividade do "sim ou não", porém na minha opinião a resposta pesa mais para o "não". Nós somos o país da diversidade, e temos uma tolerância muito maior com os nossos imigrantes do que os europeus com os seus. Sendo assim, creio que não criaríamos charges tão polêmicas quanto as do Charlie Hebdo, tanto quanto sofreríamos um atentado por conta disso, tendo um pouco de todas as culturas e religiões espalhadas por todo o Brasil.

B: O que você pensa sobre a censura religiosa em geral?
V: Resumindo a censura religiosa em poucas palavras, eu diria retrocesso.

B: Acha que as críticas de modo geral (seja contra a sociedade, o governo ou a alguma crença) fazem parte do direito de liberdade de expressão?
V: Com certeza! Por isso lutamos tanto por uma democracia, para termos o direito de liberdade de expressão. Porém criticar é diferente de desrespeitar, agredir (física ou moralmente).

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Extremos por todos os lados


Falar de um assunto tão íntimo como uma crença, uma religião, é algo extremamente difícil. A grande maioria das pessoas critica sem piedade dogmas e crenças contrárias ao seu próprio pensamento, ao passo que quando criticadas, respondem de forma agressiva e intolerante. De fato, é mais fácil criticar ao outro do que a si mesmo.

As charges publicadas semanalmente pelo jornal Charlie Hebdo criticavam avidamente crenças, costumes e assuntos considerados tabus, como a representação de Maomé (que é proibida) do mundo islâmico. Em 2011, uma charge publicada teve grande repercussão no mundo islâmico e os cartunistas do jornal foram violentamente ameaçados. Desde então, criou-se um clima tenso entre grupos extremistas muçulmanos e a equipe do jornal, composto de publicações e ameaças, ameaças e mais publicações. Nenhuma delas foi suficiente para calar o jornal, nem mesmo após o atentado.

Esse ataque ao escritório do Charlie Hebdo levantou questões que vão bem mais além da violência ou dos grupos terroristas existentes, apesar de ter sido considerado a reação mais violenta entre jornalistas e terroristas no mundo ocidental. Nesse cenário, discute-se também sobre os limites do humor. Mas a discussão não deve centrar-se somente nisso.

Em um país como a França onde a minoria muçulmana geralmente não é bem vista e onde muitos mantém o pensamento conservador contra a imigração, o discurso que ridiculariza e ofende essa categoria da população vem a calhar.

As charges críticas feitas pelo jornal foram usadas, mesmo que seu objetivo não fosse esse, como uma poderosa arma de propagação do preconceito e da estigmatização. Em muitas delas, muçulmanos eram retratados constantemente como terroristas de forma genérica.

Frisamos que nossa posição como grupo é totalmente contra ao atentado e aos grupos terroristas pertencentes ao Estado Islâmico. A questão abordada aqui visa informar interesses presentes em todo o episódio de crítica aos muçulmanos até os fatos que culminaram nas 12 mortes, que vão além dos interesses libertários e relacionados aos direitos humanos. Haviam, também, questões relacionadas a imigração árabe.

Um acontecimento trágico como esse atentado deveria levar a grande massa a refletir se vale a pena toda essa crítica extrema. Sempre haverão pessoas religiosas, sempre haverão contrários às crenças alheias. Não só no campo religioso, mas sempre haverão pensamentos divergentes dentro de qualquer área. O extremismo levou Charlie Hebdo a propagar a ideia (talvez inconscientemente, talvez não) de que todos os muçulmanos são terroristas e que o profeta deles é motivo de piada. Também levou o Estado Islâmico a executar 12 cartunistas, que tinham todo direito de discordar e manifestar sua opinião seja em forma escrita ou em desenho. 

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Desenrolando a questão da liberdade de expressão no Youtube

Quando um assunto chama a atenção do cenário mundial - como foi o caso do atentado ao Jornal Charlie Hebdo - a internet fica recheada de diversas opiniões, seja em forma de texto ou vídeo. 

Selecionamos alguns vídeos de youtubers que abordam temas polêmicos, para que toda a questão levantada a partir do atentado possa ser entendida de maneira mais fácil.


Rick Sincero é um canal no youtube comandado pelo youtuber Rick Dourado, que declara em seu canal que o fez por ter 'a necessidade de explodir e e jogar seus pensamentos para o mundo'.




Matéria do programa Agenda, da rede televisiva Rede Minas.






Canal do Pirula, que tem como objetivo abordar os temas de ciência, religião e evolução, além de um pouco de humor, já que, segundo a descrição do canal "rir ainda é o melhor remédio".

Quem realmente achava graça nas charges do Charlie Hebdo?


O humor esboçado nas charges do jornal satírico era realmente um humor racista? Com o modo em os cartunistas retratavam os muçulmanos sim, eram sempre ofensivos,  os associando com armas e fazeis, fazendo alusões ao terrorismo. Isso realmente é engraçado? Generalizar um povo, pelo que alguns fizeram, é correto? Nada justifica o massacre que ocorreu no dia 07 de janeiro de 2015, mais isso não poderia ser evitado?

Não havia limite para os cartunistas e jornalista do Charlie Hebdo, eles publicavam o que pensavam sem se importa para o que ás pessoas iriam achar. Com a França tomada por  6,2 milhões de muçulmanos, vindos grande parte de imigrantes das ex-colônias francesas, sua grande maioria era considerado como “segunda classe’’ sem poder aquisitivo, era sempre motivo de piadas nas publicações semanais do jornal francês

É total importante defender a Liberdade de expressão, porém  é preciso reprimir qualquer tipo de censura imposta,  sendo elas através da mídia, religião  ou política. Claro que não podemos  ‘’deixar que as pessoas armadas determinem qual é o limite da liberdade de expressão’’, mais temos quer ter  consciência e respeito sobre a crença ou a política dos individuo.

Alguns  paises do mundo em principal o Brasil é um pais diversificado, não tem uma religião obrigatória, um partido político obrigatório etc. Imagina se ninguém respeitasse  a escolha alheia iríamos viver constantemente em uma segunda guerra mundial, aprendemos deis do principio que para viver em sociedade devemos que respeita todos seja ele negro, branco de partidos oposto,  com poder aquisitivo ou não , com fé em uma religião ou até mesmo aqueles que não tem fé alguma, mais se sente bem deste modo. O respeito é tudo e serve para todos.